sábado, 25 de janeiro de 2014

E o Macarrão me Conquistou.

Aline experimentando e aprendendo muito no setor Macarrão em Ponta Grossa/PR.  
Acredito em destino. Acredito que as coisas estão pré programadas para acontecer a fim de tirarmos lições de cada situação e evoluir para melhor. Cabe a cada um de nós aceitar o que o destino impõe e aprender com os tombos e vitórias ou ir contra nossos desejos e instintos mais profundos e acabar insatisfeito e infeliz. Seguindo essa lógica, acredito que nada acontece por acaso. Ninguém aparece ou desaparece de nossas vidas à toa. Encontros não acontecem por obra de uma simples coincidência. Acredito que energias semelhantes se atraem e foi exatamente isso o que aconteceu comigo e um grupo de amigos no último final de semana.
Conheci o setor Macarrão, em Ponta Grossa/PR em 2011 em uma viagem de escalada. Naquela ocasião lembro que era bem difícil para mim até sair do chão para escalar. Definitivamente o Macarrão não é um setor campo-escola. Vias negativas de pura resistência no setor da frente. Vias longas e com cruxs bem técnicos no setor de trás. Um arenito lindo e macio. Um buraco no meio da pedra perfeito para bivacar, com direito a cama ergonômica, mesa para cozinhar e até uma suite para os casais sortudos aproveitarem a intimidade. 1 km do  Buraco do Padre, que é uma cachoeira alucinante perfeita para um banho com direito a hidromassagem. O que mais um escalador pode querer para um final-de-semana? Cabe mais sim!!! Show de luzes das estrelas e dos vagalumes, pôr-do-sol alaranjado de verão, nascer da lua cheia, vinho, boa comida, companhias na mesma sintonia que você e, com toda essa vibe, as inevitáveis CADENAS. Lugarzinho muito bom, fora da área de cobertura e perfeito para recarregar as energias para enfrentar a correria da babilônia. Sinto-me muito privilegiada por ter esse setor tão próximo do lugar onde eu moro e de poder desfrutar com uma boa frequência das lindas vias. Um estilo que eu não estava acostumada e que estou adorando. Muita cabeça e boa dose de motivação para enfrentar os braços tijolados e manter o foco na fluidez da escalada. E quem disse que não se usa perna na escalada negativa? Foi a parte que mais senti doer depois dos braços, hehe! Lindos movimentos, muito jogo de quadril, braços sempre esticados, respira, respira e, quando você menos espera, a última agarra está lá muito próxima. Um movimento a mais, click do mosquetão e oba! Sorrisão no rosto, gritos de comemorações embaixo: CADENA! Uma via a mais é uma via a menos. Bora partir pro próximo desafio. Sempre se surpreendendo, sempre se superando, sempre evoluindo!
Gabriel voando na via Até o Diabo Sua (8c). Cadena suada e bonita. Parabéns, guri!! Foto: Roniel Fonseca.
Arenito delícia! Via Espirra Veneno (6sup).
Bivaque 5 estrelas. Já imaginou passar uma noite nesse lugar?
Henrique e Letícia, parceiros da minha primeira vez no Macarrão em 2011.
Lê, grande amiga e escaladora super forte. Via Espirra Veneno (6sup). 
Tô adorando poder escalar mais contigo agora. Valeu!!
Pôr-do-sol na sacada. Momentos únicos que a escalada proporciona.
Malu, escaladora local super forte mostrando como se faz em alguma via que não sei o nome, mas que não deve ser moleza.
Essa é pra quem pensa que comida de acampamento se resume a miojo e suco em pó. Dá uma olhada no nosso banquete. Foto: Roniel Fonseca.
Oliver conferindo a cozinha do bivaque.
Brunão também escala via esportiva, hehehe! Muito bonito te ver escalando. Graduação no Anhangava e Marumbi dá nisso.
Muvuca básica na base das vias do setor da frente. E o chimarrão sempre presente pra dar aquele gás e não perder o costume!
Eliane e Henrique na cachoeira do Buraco do Padre. Meus queridos amigos lá do RS. Estou com muita saudade de vocês. 
Gurias no buraco.
Um pouco do setor de trás.
Oliver e Davi. Pensa em pessoas sérias, hehehe!
Eu me divertindo que nem criança nas vias negativas. Essa é a Granitinho (7a).
Pati na cadena da via El Corazon (7a). Sempre gostoso escalar com a mulherada. Foto: Roniel Fonseca.
Valeu pela paciência na seg, Aranha! Baita parceiro que me adotou em Curitiba.
Contemplação total.
Experimentando via nova. Surpresinha (6sup).
Pati, Gabriel e Roniel, super parcerias do último findi. Sem vocês escalar não teria graça nenhuma.
Muito obrigada aos antigos e novos amigos, mas principalmente aos amigos paranaenses que receberam tão bem essa gaúcha desgarrada. Sem vocês nada faria sentindo. E sem palavras pra Ponta Grossa. O setor Macarrão já tem um lugar reservado no meu coração. Mas o Paraná tem muita montanha. Bora desbravar esses picos que 2014 promete muito!




terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Impressões sobre Treinamento e Escalada Esportiva

Escalo há sete anos e, ao longo de todo esse tempo, nunca me dediquei ao treinamento de escalada esportiva. Tinha a ilusão que indo para rocha todos os finais de semana era o suficiente para evoluir. Cheguei a encadenar um 7a sem treino, mas depois de milhares de entradas e de decorar todos os movimentos e agarras da via. Porém ficou nisso e o máximo que eu conseguia era escalar uns quintos e sextos graus, os mesmos de sempre perto de onde eu morava no Rio Grande do Sul. Gostava (e ainda gosto muito) de escalar vias tradicionais. Consegui viajar e escalar vias muito legais nesse estilo, mas sempre passava o maior veneno nos cruxs e ficava com muita vontade de entrar em vias lindas, mas com passadas de 6sup, 7a expostas que eu sabia que não tinha currículo pra mandar. Outra coisa muito comum era sempre que eu começava a entrar em vias um pouco mais exigentes, apareciam dores nos dedos, ombros, joelhos. A última e bem séria foi na coluna, o que me rendeu quase um ano sem escalar direito. Hoje entendo que isso é consequência da falta de preparo do corpo para um esforço muito exigente que é escalar. Demorou mas finalmente eu entendi que o que me faltava era: TREINO.
Quando me mudei para Curitiba não tinha mais desculpa de que não havia lugar e parceria para treinar. O ginásio Campo Base fica perto de onde eu moro e tem uma estrutura incrível de treinamento. Porém não me atirei que nem uma doida a subir pelos boulders e a treinar blocadas no finger board. Como estava vindo de uma lesão séria, comecei escalando e desescalando os terceiros e quarto graus de top rope, pelo menos uma vez por semana, e pilates duas vezes por semana para fortalecer a musculatura que estava parada. Levei pelo menos dois meses para me sentir peparada a realizar um treino mais intensivo. Em agosto de 2013 comecei a treinar com o acompanhamento do Roger Mendes na Campo Base. A partir daí minha visão da escalada esportiva mudou completamente. Gostei muito do estilo de orientar do Roger. Aprendi com ele a me posicionar melhor, escalar rápido quando necessário, aproveitar os descansos, leitura de vias, foco mas, principalmente, aprendi a arte de escalar gastando o mínimo de energia. E essa é a grande sacada. 
O treino inicialmente consistia em adquirir preparo e aperfeiçoar a técnica. Terça e quinta de manhã eu ia pro ginásio (30 minutos de bicicleta pra aquecer) e treinava das 07:30 às 09:00. Uma vez por semana o treino era escalando travessias de boulder ou vias de top rope. E o outro dia não tinha nada de escalada, era só fazendo força no "cantinho da alegria". Esse treino consistia em barras, flexões, exercícios no TRX, abdominais, blocadas no finger e no campus board além de alguns exercícios com pesos. Todos os exercícios bem específicos para braços, ombros, costas e abdômen, as parte do corpo mais exigidas na escalada. Na segunda e na quarta de manhã eu fazia pilates pra fortalecer a musculatura antagonista da escalada. Sexta eu reservava pra descanso. Sábado e domingo ia pra rocha escalar. E tudo isso eu tinha que conciliar com pesquisa de mestrado, aula de inglês e tarefas domésticas porque moro sozinha. 
Nas primeiras semanas me senti extremamente cansada, dolorida e com muita fome. Foi necessário mudar meus hábitos alimentares e procurar uma alimentação mais saudável e funcional, que suprisse todas as necessidades do meu corpo. Dormir bem também é essencial para a recuperação e essa foi a parte mais difícil pra mim pois eu acordava muito cedo (06h) e não conseguia ir dormir igualmente cedo. Precisei de muita disciplina para coseguir ir dormir entre as 22 e 23h. Com o tempo comecei a colher os frutos do esforço. Comecei a escalar vias entre o sexto e o sétimo grau no ginásio e na rocha. Isso pra mim foi muito gratificante, mesmo sem mandar a maioia das vias, pois sempre considerei e ainda considero a escalada no Paraná mais dura do que qualquer outro lugar. Lembro que a primeira vez que viajei ao Paraná para escalar, tinham setores onde eu não conseguia sair do chão! Não é a toa que aqui nasceram uns dos escaladores mais fortes do Brasil.
Com a evolução resolvi me presentear com uma viagem de 10 dias para um dos maiores, se não o maior, e mais alucinante pico de escalada esportiva do Brasil: a Serra do Cipó em Minas Gerais. Não contarei os detalhes da viagem aqui, pois isso é assunto para um próximo post, mas posso adiantar que os resultados foram surpreendentes para mim. Mandei no on sight sextos e quintos, um 7a in flash e saiu um 7b na segunda entrada, estou besta até agora. Antes de ir para o Cipó, passei 10 dias no Rio Grande do Sul e aproveitei para entrar nuns projetos de escalada esportiva e tradicional que eu tinha por lá. Sucesso total!
Treinamento é essencial na busca de resultados na escalada. O esforço pode parecer grande mas os resultados são muito compensatórios. Um número ou letra que aumenta na graduação pode ser motivador mas não é nada comparado com a eufórica sensação de sentir seu corpo forte e com saúde, realizando movimentos bonitos e precisos. Os limites  físicos e psicológicos sendo superados. O trabalho mental de decifrar posições e força a ser aplicada. Uma total interação com a rocha e com toda a natureza ao redor. Foi esse último motivo que me atraiu na escalada e que me mantém nela até hoje. Portanto, bora treinar que 2014 começou bem e promete muito! Kamon!!! A la muerte!!! 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Sobre desapego e vida nova!

Tudo bem, admito que é chato deixar o blog tanto tempo sem atualização...Realmente não estava inspirada. O que me motiva a escrever nesse blog são as montanhas. Passei os últimos 6 meses longe delas, logo não havia nada a publicar. Sim, longos e duros 6 meses onde tive que reaprender a viver sem escalada e conviver com dores. Mas sempre procuro tirar ensinamentos das situações difíceis. Essa não foi diferente.
Tenho um problema na coluna cervical, um disco intervertebral que insiste em sair do lugar e comprime uma raiz nervosa que inerva o braço. Como isso foi acontecer? Fique horas olhando para cima, carregue mochilas com mais da metade do seu peso, não alongue antes e depois de qualquer atividade física e carregue os problemas do mundo nas suas costas. Pode demorar alguns anos, mas com certeza uma hora a sua coluna vai começar a reclamar! Buscando soluções alternativas para resolver o meu problema, já que o meu estômago não aguentava mais as bombas de remédios da medicina convencional, procurei a medicina chinesa, com  a técnica de acupuntura. Fez muito bem para mim! Não precisei mais de remédios para controlar as dores das costas e braço. Fiquei tão encantada que resolvi buscar e aprender novas técnicas energéticas. Conheci o EMF (técnica de equilíbrio do campo energético) e o Reiki com a minha amiga Carolina Loureiro. Depois comecei a praticar Yoga com a mestre Clarice de São Leopoldo. E junto com todas essas práticas veio a curiosidade em leituras sobre budismo. Li dois livros maravilhosos do mestre Chagdud Tulku Rinpoche, o mesmo que fundou o Templo Budista de Três Coroas/RS. Posso dizer que muitas mudanças ocorreram em mim depois de todas essas experiências. Além de tentar pôr em prática os ensinamentos budistas, procuro agora reconhecer melhor as respostas do meu corpo, a ter uma maior consciência corporal e a cuidar do meu corpo mental e espiritual. Com a ajuda\das técnicas também, consegui manter um foco nos meus objetivos para ter sucesso no meu caminho a ser trilhado.
Esse verão, diferente dos dois últimos, não viajei para a Patagônia para escalar, apesar da imensa vontade. Fiquei em casa mais recolhida, cuidando da minha saúde e estudando muito. Resolvi pôr em prática um desejo muito grande que eu tinha de voltar a estudar, fazer uma pós-graduação, mas que eu nunca conseguia dedicar tempo suficiente para a preparação. Sempre existiam outras prioridades...
Fiquei acompanhando pela internet as fotos maravilhosas e os depoimentos entusiasmados dos meus amigos sobre as viagens. Dava muita vontade de estar junto. Mas acredito que damos muito mais valor às conquistas quando o caminho até chegar a elas é custoso. E tudo no que acreditamos e nos dedicamos de corpo e alma tem grandes chances de dar certo. E foi assim que depois de muitas dificuldades, fui aprovada na seleção de mestrado em bioquímica na Universidade Federal do Paraná! Por que bioquímica, que é uma ciência que a maioria das pessoas da área da saúde e da biologia acha difícil? Porque sempre fui fascinada   no estudo de moléculas, no seu funcionamento e na perfeição microscópica do nosso corpo. E por que Paraná? Porque adoro o clima frio, as montanhas, a cultura "marumbinista" e a força dos montanhistas paranaenses, que sempre me impressionou.
Há tempos eu precisava mudar de ares, conviver com novas pessoas, escalar novas montanhas, me dedicar a um projeto novo. Enfim, eu precisava praticar o desapego, que nada mais é do que um dos princípios básicos do budismo. É claro, sem deixar de amar minha família, meus amigos, meus alunos e colegas que ficam.
Já voltei a escalar, num ritmo mais lento porque o corpo ainda está com pouca força e se adaptando. E já comprei a passagem pra minha nova vida.

Prometo agora escrever bastante sobre as novas aventuras paranaenses! Sem deixar de lembrar e respeitar de onde vim. ;)
Hasta la vista!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Rio das escaladas maravilhosas!

Mais um lugar incrível para a lista, cumes inesquecíveis, companhias maravilhosas e vias de escalada de puro desfrute e também de testar os neurônios. Assim foram meus dez dias na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. Fazia tempo que eu estava devendo uma visita ao centro de escalada mais famoso do Brasil. Até os estrangeiros me cobravam isso! Para não perder tempo, garanti minhas passagens em fevereiro, logo que voltei da Patagônia. É sempre assim para os fissurados que têm a escalada correndo nas veias: a gente volta de uma viagem planejando a próxima.
Sobre a parceria desta vez, melhor impossível: minha amiga Luísa Diederichs. Começamos a escalar juntas há cinco anos e vou te contar, não sei dizer quem era a mais fissurada em escalada das duas. A Lu virou mamãe e a sua disponibilidade para escalada e viagens diminuíram. Mas lá no Rio não demorou para o velho entrosamento e companheirismo voltar. Revesamos guiadas justas, compartilhamos medos, alegrias e decisões e o mais importante: nos divertimos muito nas nossas escaladas.
Antes de viajar havíamos feito uma lista de objetivos, digo vias a serem escaladas. Conseguimos cumprir algumas metas, outras não foram possíveis de cumprir e algumas surgiram do imprevisto como presentes.
Então, segue nas fotos um resumo do que aprontamos.  : )

Sábado, dia 21, depois de conhecer e curtir um pouco a praia de Copacabana, recebo uma mensagem da Monica Schiavon dizendo que estava escalando na parede dos ácidos. Bora lá! Separamos nosso equipo de escalada esportiva e pulamos no primeiro ônibus para a Urca. Descemos no ponto e agora? Pão de açúcar de um lado e uma porção de morros pelos outros lados. Onde fica a parede dos ácidos? Como chegamos lá? No meio dessa confusão vi um casal com mochilas e uma corda. Grudamos neles! Para nossa sorte e coincidência o Vicente e a Luciana são gaúchos, escaladores e suuuper simpáticos. Nos ofereceram o guia da Urca (que mudou a nossa vida) e nos explicaram o nome de cada morro e como chegar nas vias. Como eles estavam indo para a Babilônia e eu não conseguia mais entrar em contato com a Monica, fomos acompanhá-los. E na base das vias da Babilônia, quem encontro? A Luciana Maes, que estava me passando betas pelo facebook. Depois de muita conversa e entusiasmadas com tantas informações de vias legais que a galera nos passava, já eram umas 16 horas quando resolvemos entrar na via IV Centenário, a primeira via conquistada no Morro da Babilônia, em 1965.

Tanta pedra. O difícil é escolher onde escalar!
Seis aninhos e já guiando via. Que privilégio em ter pai maluco/escalador e morar no Rio de Janeiro!
1ª enfiada da IV Centenário, um III bem tranquilo para nos aclimatarmos com as escaladas no Rio. Apesar de fácil , passei sufoco com a minha sapatilha esportiva apertada, costuras curtas e a Lu sem capacete, afinal íamos para os ácidos e acabamos entrando numa via tradicional.

2ª enfiada da IV Centenário, 4º, vamos aumentando aos poucos a graduação.
P2 da IV Centenário. Felizes pela primeira escalada no Rio. E a cidade nos recepciona com um belo pôr-do-sol e vista privilegiada.

No sábado à noite devoramos o guia da Urca e elegemos nossa segunda via na Babilônia: Vilma Arnould V, E2, 185 metros. Na foto a Lu guiando a primeira enfiada.
O que a primeira enfiada teve de fácil a 2ª e 3ª da Vilma Arnoud teve de difícil. Fui apresentada  às  famosas aderências do Rio na 2ª e a Lu guiou com bravura o crux de V, bem vertical com agarras pequenas da 3ª. Sufoco mas foi de boa. O problema era o calor que já tava fritando os miolos na P3 da foto.
O calor tava quase insuportável mas não pude deixar de desfrutar a 4ª enfiada de travessia. Apesar do sufoco do trecho sem agarras, valeu pelo visual e encerramos nossa escalada na Vilma Arnoud. 140 metros de via, faltaram duas enfiadas para o cume, mas o calor era tanto que já tinha feito bolhas nas minhas mãos. Descemos felizes de ter conseguido passar pelo filé da via.
Refresco para os pés e para a mente nas calmas águas da Praia Vermelha.
Este é o Morro da Babilônia. Muitas vias legais, uma ao lado da outra.  O problema é que  o morro se encontra  voltado para o norte, então é sol o dia inteiro.

Na segunda decretamos dia de descanso e fomos curtir alguns pontos turísticos do Rio  com a familía da Lu. Na foto, a bela praia da Barra da Tijuca.
Praia de Ipanema e o Arpoador ao fundo.
Praia de Copacabana. Super papai Otávio que cuidou da Sophie enquanto as duas loucas escalavam.
Na segunda à noite estávamos na dúvida entre duas vias no Pão de Açúcar: Italianos ou Chaminé Stop. Por indicação de outros escaladores, ficamos com a Italianos, Vsup, E1, 90 metros. Na foto, a Lu na trilha de aproximação à face oeste do Pão de Açúcar.

Acordamos cedinho para essa escalada. Chegamos e o morro estava envolto por nuvens, o que dava um ar sinistro à base. Demoramos um pouco para começar porque a Italianos tem muitas variantes no começo e foi complicado encontrarmos o caminho mais fácil. Na foto, eu na primeira enfiada. Momentos de susto com os esticões do início e contemplação com a beleza estética da via. Lindíssima essa primeira enfiada!

Eu na P1 da Italianos, feliz e chamando a Lu. Não temos fotos da 2ª enfiada, que a Lu guiou com maestria. Escalada exigente, vertical o tempo inteiro e agarrinhas muito pequenas. Tirei o chapéu pra minha parceira.

E quando achávamos que as panturrilhas iriam estourar, surge uma 3ª enfiada, de 3º grau, cheia de agarras grandes e bons lugares para descansar os pés. Subi correndo e chamei a Lu pro abraço. Fomos as únicas pessoas a escalar a Italianos nessa terça-feira, dia 24 de julho.

A grutinha do final da Italianos é um luxo. Dá até pra tirar um cochilo na sombra.  Ficamos mais de uma hora aí, almoçando, tirando fotos e curtindo o visual. Na foto, minha mão com bolha aberta da escalada na Babilônia e mais alguns machucados.

Que visu, hein!
Na final da Italianos, se você quer chegar ao cume do Pão de Açúcar, existem duas opções mais acessíveis: uma escalada de IV grau pela via Secundo ou seguir pela via de cabos de aço CEPI. Optamos pela CEPI por ser mais rápida e para fugir do sol que castigava a Secundo. Apesar de aparentemente mais fácil, foi sinistro seguir pela CEPI e confiar nos cabos de aço, sem contar nos braços que ficaram bombados.

Cume, finalmente. Muito calor e cansaço.
Realizadas.
Valeu, parceira!
Luxo: cerveja no cume para comemorar.
Vista da bela face oeste do Pão de Açúcar, onde escalamos. A descida foi fácil e merecida. Bondinho gratuito até a Praia Vermelha.
À noite a comemoração foi com pizza e cerveja com a Luísa e família e, mais tarde, samba de raiz na Lapa com a Monica Schiavon e Lucy Garrote. Na foto, mais um ponto turístico: os arcos da Lapa.


  Na quarta-feira acordei mal. No início achei que fosse ressaca das comemorações do dia anterior, mas depois a febre apareceu e tive certeza: a combinação de sol mais ar condicionado polar em todos os lugares da cidade detonou com a minha sinusite. Depois foi a sinusite que me detonou com 3 dias de febre. O combinado era irmos à Teresópolis na quarta-feira à tarde e escalarmos o Dedo-de-Deus na quinta-feira. Não foi desta vez.

No segundo dia com febre, não aguentando mais ficar dentro do apartamento, engoli uma dipirona e fui fazer passeios mais lights, longe do sol. Na foto eu e minha colega de faculdade Fernanda Silva no Jardim Botânico. Saudade dessa guria que eu não via desde a nossa formatura, há uns três anos.
Também aproveitei para conhecer o Palácio do Catete ou Museu da República. Fiquei umas 2 horas aí dentro desfrutando os três andares de exposições e aproveitei para saber um pouco mais da história da política do meu país.
No sábado a febre finalmente deu uma trégua e acordamos cedinho pra escalar. Escolhemos uma via fácil e totalmente na sombra para eu recomeçar depois da peste. Na foto eu no caminho da face sul do Pão de Açúcar, na pista Cláudio Coutinho.
Quem vai de segundo tem que escalar de mochila. Justo, hehe! Primeira enfiada da via Coringa, III grau, E1, 100 metros.
E no meio de tosse e cansaço da febre dos dias anteriores fui seguindo na segunda enfiada. Terceiro grau com direito a lances de aderência e até uma barriguinha exposta. Via danada de bonita!
O visual da Coringa é realmente incrível. 
Final: mais uma via!

Enquanto escalávamos a Coringa havia uma dupla na via Às de Espada, ao lado esquerdo que nos chamou muito a atenção. O guia não parava de cantar e ele tinha um sotaque do nordeste. Na trilha de descida do Pão de Açúcar conhecemos o tal "cantor" e ganhamos um novo e querido amigo: Carlos. O Carlos nos apresentou para sua parceira, que o estava esperando na Pedra do Urubu: a Mariana Sheimberg. Por coincidência nós duas já havíamos nos conhecido no último verão no Frey, Argentina. Que mundo pequeno!
Ficamos os quatro conversando o maior tempão, sobre escalada, lógico. O Carlos e a Mariana queriam nos mostrar muitas vias. Falaram em especial da Passagem dos Olhos na Pedra da Gávea e do Paredão K2 no Corcovado. Trocamos telefones e combinamos escalar a Passagem dos Olhos no domingo e a K2 na segunda, para fechar com chave de ouro a nossa viagem.

No final o Carlos teve um compromisso e não conseguimos escalar na Pedra da Gávea. Foto: vista da Pedra da Gávea do ônibus. Ficamos devendo essa também!
Então, resolvemos escalar domingo no Morro do Cantagalo, que fica pertinho de onde nós estávamos. Chegamos lá e não nos pilhamos com o ambiente totalmente urbanizado da área e nem com o sol que já castigava a parede às 8 horas da manhã. Voltamos, dormimos e o Otávio saiu para surfar. Finalmente, ele estava merecendo, hehe!
À tarde, quando o Otávio voltou, saímos para escalar na Urca novamente, mas o calor tava insuportável. O máximo que fizemos foi uma entrada na via Lindáurea, na Babilônia.
Segunda, último dia de escalada. Sai para almoçar com a minha colega de faculdade Camila, que eu não via também há muito tempo, e o Carlos nos envia mensagem: "escalada no Corcovado confirmada". Partimos às 14:30 para lá, horário que começa a pegar sombra na parede. Nos encontramos com o Carlos, Mariana e ganhamos mais uma amiga: a paulista Gabriella Lundholm Subimos bastante o Morro do Corcovado de carro, deixamos ele estacionado e fizemos mais uma meia hora de caminhada. Chegamos na base da via K2 V, E2 (que parece E3), 150 metros, que já é alucinante, pois está a mais de 500 metros do chão. O Carlos e as meninas seguiram na frente formando uma cordada e a Lu e eu seguimos atrás formando outra cordada.

Lu e eu nos preparando na base da K2. A Lu guiou a primeira enfiada da via, que segue por um lindo diedro de oposição.  Obrigada, amiga, por ter guiado essa enfiada! Odeio oposições, hehe!
A segunda enfiada ficou por minha conta. Cheia de surpresas, esticões e o famoso lance do crucifixo, que eu só fui descobrir depois de passar no sufoco. Foto: minha chegada na P2 em meio a nuvens. Créditos: Gabi  Lundholm.
Na saída da terceira enfiada está o famoso lance do palavrão, que também só fomos descobrir depois. É uma escalada novamente num diedro de oposição de uns seis metros, detalhe: a única proteção era a do Cristo que nos olhava lá de cima. Dá pra proteger em móvel, mas como não levamos peças, a Lu respirou fundo e tocou pra cima rapidinho, mandando super bem. A última enfiada era uma rampa curta e cheia de agarras, a mais fácil de todas, mas que o nosso amigo Carlos fez o favor de jogar uma corda de cima, pois já era noite e os sustos tinham sido grandes. Daí, foi só escalar rapinho e correr pro abraço.
Depois de fazer uma trilha curta no meio do mato, vimos uma clarão no meio da neblina: era o Cristo nos recebendo de braços abertos. Linda a cena. Fizemos várias fotos e aproveitamos o cume do Corcovado que, fora do comum, não tinha nenhum turista, só nós, loucos escaladores. Foi mais um cume incrível e muito bem acompanhada. 

Não teria melhor maneira de fechar a viagem no Rio com uma imagem dessas, no maior cartão postal da cidade.